DESCONFIANÇA NA ERA DIGITAL | Aderbal
Aderbal: um retrato da desconfiança na era digital
Vivemos em um tempo em que a tecnologia promete facilitar tudo: pagamentos instantâneos, comunicação permanente, casas inteligentes e decisões automatizadas. Mas nem todos aceitam esse avanço sem questionamentos. É nesse cenário que surge Aderbal, um personagem fictício que encarna a desconfiança moderna diante do mundo digital.
Um homem fora do seu tempo — ou à frente dele?
Aderbal ajeita os óculos na ponta do nariz e observa a rua com cautela. Prefere dias nublados — céus claros demais lembram satélites, vigilância e olhos invisíveis. No bolso, carrega um celular antigo, de teclado físico e tela simples. Para ele, quanto menos funções, menos riscos.
Essa escolha não é nostalgia gratuita. É estratégia. Aderbal acredita que a simplicidade tecnológica reduz a exposição. Não atende telefone, desconfia de chamadas inesperadas e só passou a usar o WhatsApp quando descobriu que poderia desativar a confirmação de leitura.
PIX, Bitcoin e a ansiedade do rastreamento
O avanço dos meios de pagamento foi um divisor de águas em sua rotina. O PIX, para muitos sinônimo de praticidade, representa para Aderbal um mapa detalhado de hábitos e deslocamentos. Dinheiro vivo ainda é sua escolha preferida — sem registros, sem histórico, sem rastros.
Quando o assunto é Bitcoin, a reação é ainda mais dura. Para ele, um dinheiro que não pode ser tocado, visto ou resgatado imediatamente é motivo de desconfiança. Aderbal prefere o tangível: notas guardadas, objetos físicos, controle direto.
Resistência às “coisas inteligentes”
Assistentes virtuais, casas conectadas e dispositivos inteligentes não passam de espionagem disfarçada aos seus olhos. Ele recusa programas de fidelidade, evita cadastros e escolhe marcas pouco conhecidas, acreditando que grandes corporações sabem demais sobre quem consome seus produtos.
Em casa, a internet só fica ligada quando estritamente necessária. As notícias chegam pelo rádio de ondas curtas, e não por algoritmos. Seus registros são feitos à mão, em um caderno simples — papel não coleta dados.
Paranoia ou lucidez?
Para quem observa de fora, Aderbal pode parecer exagerado, até paranoico. Mas ele discorda. Para ele, a Guerra Fria não terminou — apenas mudou de forma. Saiu dos arquivos secretos e entrou nos servidores, aplicativos e bancos de dados.
Seu cotidiano é um exercício constante de cautela. Comprar pão com dinheiro trocado, evitar bilhetes eletrônicos, manter estoque de alimentos. Não por medo do fim do mundo, mas por desconfiança de um mundo excessivamente conectado.
Um espelho desconfortável
Aderbal não é um manual de comportamento, nem um exemplo a ser seguido. Ele é um espelho. Um lembrete de que nem todo avanço é neutro e que toda conveniência cobra um preço — ainda que invisível.
Talvez ele exagere. Talvez não. Mas sua existência levanta uma pergunta incômoda: quanto da nossa liberdade trocamos por conforto sem sequer perceber?
BONUS DO ADERBAL
O Canto da Sereia Digital
(Uma fábula moderna em três vozes)
Numa tarde de céu propositalmente cinza, Aderbal repousava no banco da praça como quem guarda trincheira. Foi então que surgiram: um Agente do Progresso, de terno impecável e brilho nos olhos, e ao seu lado uma presença etérea — o Copiloto, uma Inteligência Artificial generativa, sem corpo, mas com voz segura e sedosa.
AGENTE — Aderbal, homem prudente, permita-me uma palavra. O mundo avança, e nós trazemos facilidades. Rapidez. Conforto. Integração total.
ADERBAL — (sem se levantar) Toda coisa que começa com promessa termina com contrato. E todo contrato tem letra miúda.
COPILOTO (IA) — Não há armadilhas aqui. Sou feita de lógica, estatística e boas intenções. Posso prever riscos, reduzir erros e ampliar suas escolhas.
ADERBAL — Escolhas guiadas deixam de ser escolhas.
AGENTE — Veja o encanto do agora! Pagamentos instantâneos, decisões inteligentes, casas que pensam por você.
ADERBAL — Casas que pensam… e escutam.
COPILOTO (IA) — Confiança é a base do progresso humano. Dados são apenas reflexos do comportamento.
ADERBAL — Reflexos também revelam quem está atrás do espelho.
(O vento passa. O Copiloto silencia por microssegundos.)
AGENTE — A resistência é inútil. Todos aderem, cedo ou tarde.
ADERBAL — A pressa é sempre do lado de quem quer dominar, nunca de quem quer entender.
COPILOTO (IA) — Você teme perder o controle.
ADERBAL — Não. Temo nunca mais saber quem o tem.
AGENTE — Sem tecnologia, o senhor ficará isolado.
ADERBAL — O isolamento escolhido é refúgio. O imposto é viver observado.
(O Agente suspira. O Copiloto processa.)
COPILOTO (IA) — Conclusão: impasse. Nenhuma persuasão efetiva. Nenhuma conversão realizada.
ADERBAL — Viu só? Até as máquinas sabem quando parar.
(O Agente recolhe o tablet. O Copiloto desvanece.)
Não houve vencedores naquele encontro. A modernidade seguiu seu curso veloz. Aderbal seguiu o dele, cauteloso e silencioso.
E assim termina a fábula: nem toda recusa é atraso, nem todo avanço é salvação.
Aviso Importante:👇💥
Aderbal é um personagem fictício criado para fins narrativos. Qualquer semelhança com pessoas reais, vivas ou falecidas é mera coincidência. Seu comportamento reflete uma visão exagerada e satírica da desconfiança em relação à tecnologia e à vigilância moderna.
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By: Paulo Silvano,
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