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QUANDO OS IMPÉRIOS VÃO A GUERRA | PAZ ARMADA

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  imagem criada por IA Quando os impérios vão à guerra O que Nabucodonosor, Ciro, Alexandre e Roma ensinariam sobre EUA, Irã e o mito da vitória moderna Por trás de cada guerra existe uma narrativa visível — e uma teologia invisível. Nos comunicados oficiais, os Estados modernos falam em segurança nacional, defesa preventiva, soberania, liberdade de navegação, estabilidade regional ou proteção da ordem internacional. Mas, por trás desse vocabulário técnico e aparentemente racional, ainda pulsa algo muito antigo: a necessidade de justificar a violência por meio de um princípio superior. Os impérios do passado não escondiam isso. Marchavam em nome dos deuses. A Babilônia guerreava sob a sombra de Marduque . A Pérsia invocava a ordem cósmica de Ahura Mazda . Alexandre atravessava continentes embalado pela convicção de que o destino lhe pertencia. Roma , por sua vez, transformou a guerra em método, a glória em liturgia e a paz em uma forma organizada de submissão. Hoje, o mundo prefer...

ALASDAIR MACINTYRE E O RETORNO ÀS VIRTUDES

 


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Alasdair MacIntyre: O Filósofo que Propôs um Caminho de Volta às Virtudes

Com a morte de Alasdair MacIntyre, o mundo perde um dos pensadores mais ousados e influentes da filosofia moral do século XX. Mas sua obra, especialmente o livro Depois da Virtude, continua mais atual do que nunca. Em um tempo de debates acalorados e pouca escuta, MacIntyre nos convida a fazer uma pausa, olhar para trás — e resgatar algo essencial: a ideia de que a moral só faz sentido dentro de tradições vivas e comunidades reais.


Um Diagnóstico Incômodo

MacIntyre começa seu livro com uma provocação: imagine uma civilização que perdeu todo o conhecimento da ciência, restando apenas pedaços soltos — fórmulas sem sentido, termos técnicos sem contexto. Ele diz que é exatamente assim que estamos hoje em relação à moral. Falamos de justiça, direitos, deveres… mas perdemos o fio da meada. Usamos palavras que herdamos, mas esquecemos o que as sustentava.


Nietzsche Estava Certo? Até Certo Ponto

Ele reconhece que Nietzsche percebeu isso antes de muitos. O filósofo alemão viu que os valores morais tradicionais estavam ruindo e propôs uma nova moral baseada na vontade de poder, onde o “além-do-homem” (Übermensch) criaria seus próprios valores. MacIntyre, porém, discorda da saída. Para ele, Nietzsche entendeu o problema, mas sua solução — romper com tudo e começar do zero — nos joga num abismo ainda maior: o niilismo, ou seja, a perda total de sentido.


A Alternativa: Práticas, Comunidades e Virtudes

É aqui que Depois da Virtude se torna uma obra revolucionária. Em vez de aceitar o impasse moderno ou aderir ao niilismo, MacIntyre propõe o retorno à ética das virtudes, tal como concebida por Aristóteles. Para ele, os seres humanos só podem ser compreendidos adequadamente dentro das “práticas” — atividades sociais cooperativas dotadas de regras internas e objetivos próprios — que moldam seu caráter moral.

A proposta de MacIntyre é resgatar a ética das virtudes, especialmente como ensinada por Aristóteles. Para ele, não podemos falar de moral sem falar de pessoas inseridas em histórias, comunidades e práticas concretas. Virtudes como coragem, honestidade, justiça ou generosidade só fazem sentido se estiverem ligadas a modos de vida reais — como ser um bom médico, um bom professor, um bom cidadão.

Além disso, ele nos lembra que todos vivemos dentro de uma narrativa — nossa vida tem começo, meio e fim, e ela só faz sentido quando entendemos para onde estamos indo. Por isso, ele resgata a ideia de “telos”, o propósito da vida humana. Sem esse horizonte comum, nossos debates morais se tornam gritos no vazio.


O Problema do Liberalismo

MacIntyre também critica com firmeza o liberalismo moderno, que tenta construir uma sociedade neutra, onde cada um escolhe sua própria visão de bem. Para ele, essa pretensão de neutralidade moral é falsa e perigosa. Nenhuma decisão está realmente “acima das tradições”. Ao negar isso, o liberalismo nos desliga das comunidades morais que dão forma e sentido às nossas escolhas — e nos deixa vulneráveis ao relativismo e à desorientação.


O Que Fica de Seu Legado?

O pensamento de Alasdair MacIntyre atravessa disciplinas: da filosofia política à teologia, da ética à educação. Sua conversão posterior ao catolicismo romano também influenciou sua busca por uma tradição moral coerente e encarnada. Muitos veem nele uma figura “aristotélico-tomista” no século XX, que ousou criticar tanto o liberalismo quanto o niilismo, e o fez sem nostalgia, mas com realismo e profundidade.

Em um mundo cada vez mais atomizado e moralmente fragmentado, MacIntyre nos deixa uma advertência — e uma esperança: não é possível uma ética sem telos, sem propósito, sem tradição. 


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MacIntyre não oferece respostas fáceis, nem fórmulas prontas. Mas seu diagnóstico e sua proposta ecoam de maneira poderosa no nosso tempo: vivemos uma crise moral porque perdemos o enraizamento. Precisamos de práticas reais, comunidades vivas e uma história comum. Em vez de inventar tudo do zero, talvez devamos reaprender com quem veio antes.

No fim de Depois da Virtude, ele lança uma pergunta provocadora: “Aristóteles ou Nietzsche?” Ou seja: reconstruímos com base nas virtudes e tradições? Ou seguimos num caminho de ruptura e vazio? O bem e mau existem e devemos pensar nossas escolhas com responsabilidades. Essa talvez seja uma das grandes questões do nosso tempo.


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By, Paulo Silvano (kernel text)

Advogado, pós graduado em Direito Previdenciário e extensão em Direito Marítimo e Portuário

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Referências bibliográficas

  • MacINTYRE, Alasdair. Depois da Virtude. Rio de Janeiro: Record, 2001.

  • NIETZSCHE, Friedrich. Além do Bem e do Mal. São Paulo: Companhia das Letras, 2001.

  • ARISTÓTELES. Ética a Nicômaco. São Paulo: Abril Cultural, 1973.



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